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Isolante para telhado, uma opção interessante
Mantas com uma ou duas faces de alumínio melhoram o conforto térmico da construção e protegem contra infiltrações.
Isolar a cobertura de uma edificação traz sempre benefícios, já que a carga mais forte de calor na maioria das casas ou nas indústrias, vem pela cobertura. “Pelas medições de campo sabemos que as telhas cerâmicas podem atingir temperatura de até 70 C e, nesse estado, irradiam muito calor”, diz Alberto Hernandez da Faculdade de Engenharia Mecânica da Poli – USP.
Tão logo as subcoberturas chegaram ao País, surgiram entre técnicos e especificadores, dúvidas ainda não totalmente dirimidas. Uma delas é conceitual: afinal, o que pode ser considerado subcobertura ? “Uma das formas é definir suas funções, e as principais são impermeabilizar e proporcionar isolamento térmico”, explica Neide Sato, da Poli – UPS. Segundo essa definição, fica mais fácil qualificar os produtos existentes e saber como devem ser para oferecer boa qualidade. “Para coletar água, basta ela ser impermeável. Mas se for para isolar, precisa possuir características mais complexas, como reduzir a troca de calor por irradiação”, conclui Neide.
Esse isolamento é conseguido por uma lâmina aluminizada, o foil, que funciona como uma barreira radiante: quando voltado para cima, reflete o calor que chega, se voltado para baixo, não emite para o ambiente. “A propriedade que mede esse poder de emitir calor chama-se emissividade. Quando mais baixa a emissividade, mais reflete calor. Um produto com emissividade de 10% só emite isso de calor. Um plástico preto emite 95%”, diz Fúlvio Vittorini, chefe do Agrupamento de Componentes e Sistemas Construtivos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
- Produto não normatizado
- Não há normas brasileiras, o que faz com que fabricantes e instaladores recorram a especificações internacionais. “A ASTM, norma norte–americana, registra que a emissividade do foil de alumínio deve ser menor que 0,1, para que a subcobertura seja considerada um isolante térmico efetivo. Ou seja: vai emitir até 10% da radiação recebida – ou vai refletir 90%”, explica Neide.
A falta de normas brasileiras dificulta a qualificação desses produtos.”Nós estamos discutindo e tentando redigir as normas, mas ainda não chegamos ao ponto em que deveriam estar”, conta Vittorino. Enquanto isso, alguns fabricantes recorrem ao IPT para testar seus produtos. “A maior parte atendeu com tranqüilidade às normas internacionais”, garante.
- Benefício na conta de energia
- Por evitar perda de temperatura, as subcoberturas ajudam a economizar energia, principalmente em ambientes climatizados. Se uma casa tem condicionador de ar, por exemplo, com a diminuição da entrada de calor, o aparelho será menos exigido. Se funcionar com timer, o condicionador pode ficar menos tempo ligado, ou em uma temperatura mais baixa. O mesmo acontece para casas com aquecimento – como se perde pouco calor de dentro, o aquecedor é menos solicitado.
“O uso de uma subcobertura adequada pode diminuir até 20% o consumo do ar – condicionado”, explica Alberto Hernandez. “Em São Paulo, por exemplo, se as edificações tivessem subcoberturas bem projetadas e bem executadas, os usuários não precisariam usar o ar – condicionado na maior parte do ano”.
- Check list
- As subcoberturas devem ter, pelo menos, um dos lados aluminizados, para que seja uma barreira radiante. Sempre verificar dados técnicos do produtos: a emissividade de uma barreira térmica refletiva deve ser menor ou igual a 10% .
O produto deve ter boa resistência mecânica, para que não rasgue com facilidade. Em casos em que é necessário um isolamento maior, usa – se subcobertura com dois lados aluminizados. Alguns produtos têm proteção contra agentes externos, como poluentes ambientais, maresia e até para prevenção do contato com o cimento, durante a execução da obra.
Há diferentes maneiras de instalar, dependendo do tipo de produto e de telhado. A fita adesiva aluminizada, aplicada na sobreposição das mantas, garante estanqueidade ao sistema. Deve haver sempre um espaço abaixo e cima da manta. O lado aluminizado nunca pode estar grudado no forro ou no telhado.
- Como funciona?
- O foil aluminizado pode estar ligado a diversos materiais que compõem o substrato das subcoberturas, e que variam de acordo com o fabricante – alguns utilizam apenas um reforço para foil de alumínio, outros usam substratos como plásticos bolha, polietileno expandido ou lã de vidro. “O substrato normalmente só serve como reforço para o alumínio, mas o plástico bolha e o polietileno expandido (EPE), por exemplo, podem aumentar a resistência térmica. Nesse caso, é preciso avaliar custo e o benefício”, diz Neide. Na gama de produto oferecidos ainda há aqueles com apenas uma face aluminizada e outros com alumínio dos dois lados – os bi-aluminizados.
A maneira de barrar o calor difere se o produto tem apenas uma ou as duas faces com foil. “Nas mantas bi aluminizadas, o calor do telhado bate e é devolvido. Estas têm um benefício duplo: reflete o calor de volta para baixo do telhado, e um pouco do que é absorvido não vai ser irradiado para baixo”, conclui. No inverno, segundo Vittorino, a subcobertura mantém o aquecimento da casa, pois não deixa que o calor produzido durante o dia saia.
- Produto eficiente
- As pesquisas feitas até agora mostraram que esse produto é eficiente para melhorar a condições de conforto térmico ou reduzir as cargas térmicas de ambientes com ar – condicionado. Foram feitas também comparações com isolantes térmicos do tipo resistivo, como a de lã de vidro ou de rocha, polietileno expandido ou extrudado e poliuretano, que funcionam como isolantes térmicos por condução. Os resultados são bons. Seria ótimo se as indústrias conseguissem tornar a face aluminizada anticorrosiva, mas sem aumentar a emissividade de calor. Talvez isso seja possível.
- Como escolher a subcobertura mais adequada para cada caso?
- Para se obter o melhor desempenho térmico deve –se especificar mantas cuja emissividade da superfície seja baixa, em torno de 10%. O segundo critério é a resistência mecânica, natureza e composição dos elementos estruturais, tendo em vista a durabilidade. Deve – se verificar também formas de fixação, pela facilidade de instalação e durabilidade dos dispositivos. Alguns fabricantes fornecem um manual de instalação que deve ser seguido passo a passo.
- Quais cuidados o aplicador deve ter para que a subcobertura apresente máxima eficiência?
- Deixa sempre um espaço abaixo e acima da manta, pois ela funciona como barreira á radiação térmica. Se apenas uma das faces for aluminizada , deixa –lá voltada para cima. Nas sobreposições das folhas proceder de forma que possíveis infiltrações de água possam escoar naturalmente – por exemplo, não colocar folha que vai ficar em um nível inferior em cima da folha anterior.
- Quais as patologias mais comuns e mais graves desse componente construtivo?
- Depende do produto. Mantas com papel Kraft no interior podem se deteriorar com umidade, o que se evita em boa medida na instalação. A corrosão da face aluminizada da manta também é uma patologia grave e ocorre com freqüência em ambientes de atmosfera agressiva. Nesse caso é preciso prever alguma forma de proteção, optando pelo polietileno expandido ao invés do papel kraft, e poliéster aluminizado ao invés do alumínio.
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